O "Abraço à Vela" começa com a ida de três amigos do Brasil até Angola, em Dezembro de 2005. No mar, a amizade, os Abraços, perduram e agora o Mussulo II sairá de Cabo Verde para o Brasil. Outra ligação entre povos que estão ligados desde os princípios das suas histórias! Bons ventos!
terça-feira, janeiro 08, 2008
A FESTA EM LUANDA * O lançamento no Brasil
Como não podia deixar de ser foi no Club Naval de Luanda. Rodeados de amigos e desportistas, viveram-se momentos de muito carinho, uma vez mais, enquanto houve a oportunidade de voltar a abraçar tantos amigos e "sobrinhos" que nos haviam recebido no final da travessia.
No dia seguinte já nos eram feitos alguns comentários ao que haviam lido!
sábado, novembro 24, 2007
“Regresso dos Cavaleiros da “Ordem da Gota d´Água no Oceano”
A semana que acabou ontem, teve como protagonistas de relevo, 2 dos Valentes Marinheiros do Veleiro “Mussulo, que em Janeiro de 2005, trouxe a Luanda, depois de uma corajosa e arriscada travessia atlântica, ligando o Rio de Janeiro a Luanda, e consecutivamente, o Brasil a Angola, cujo nome de projecto teve como designação: “Um Abraço à Vela”, e que, acabou dando título ao Livro “Mussulo – Um Abraço à Vela”, escrito pelo tio Chico (Francisco Amorim), o mais velho dos Bravos Tripulantes, o qual, foi lançado aqui em Luanda, ontem, dia 15 de Novembro, quase 3 anos depois de tal epopeica aventura oceânica.
O acto solene do lançamento, aconteceu no Clube Naval de Luanda, cujos associados, estiveram entre aqueles que primeiro receberam o “Mussulo”, ao largo da famosa Ilha do Mussulo, que se situa ao largo da região costeira sudeste de Luanda.
Presentes para o acto, estiveram entre associados e amigos, à volta de umas 50 pessoas, tendo grande parte adquirido o Livro, ao preço de simbólico valôr.
O acto foi presidido pelo Jacques dos Santos, Membro da União de Escritores Angolanos e Presidente da Associação Cultural “Chá de Caxinde”, que ao mesmo tempo, tem como membros alguns dos mais conhecidos Escritores e Intelectuais cá da praça, tendo ainda tido como introdutor e apresentador da presente obra literária, o associado do Clube Naval, Baptista Borges, que fez uma muito bem conseguida introdução verbal ao livro “Mussulo – Um Abraço à Vela”.
Consideramos estarem de Parabéns, tanto o Tio Chico, como o próprio Comandante do Mussulo, o Guilherme Caldas, que foi talvez, o principal protagonista desta epopeia aventureira marítima, que ao mesmo tempo, é o dono do veleiro “Mussulo” e promotor principal dessa viagem oceânica, que ao fim e ao cabo, e como bem disse Baptista Borges,a determinado momento de sua intervenção apresentadora da obra, uma gota de água num imenso oceano.
Estamos em crer que, essa sua introdução verbal, de profundidade e sensibilidade elevadas, virá a ser brevemente divulgada na Internete, pelo Tio Chico, quando em seu regresso, esta semana que vem, ao Basil, dando a todos que aqui nos acompanham nesta narrativa escrita, o teor da bela intervenção/introdução do Baptista Borges.
A seguir à introdução do acto do lançamente do Livro, deu–se o acto consecutivo da assinatura de autógrafos, por Tio Chico, numa mesa, e por Guilherme Caldas, situado numa mesa oposta à do Tio Chico.
Antes e depois da aquisição do Livro e da sessão de assinaturas de autógrafos, houve tempo para muita troca de saudações, pedaços de estórias e histórias, tanto da viagem em si, como de outras sobre vivências passada e actuais, em Angola, para beberete e para petiscar alguns salgados, o que engrandeceu sobremaneira o convívio dos que ali estiveram entusiásticamente presentes ao acto e que muito ajudaram a engrandecer o acto em si.
Muitas fotos foram tiradas, as quais, esperamos venham a ser colocadas em breve aqui na Internete, para posterior envio para todos aqueles e aquelas que nutriram e continuam a nutrir interesse por tal valorosa façanha, que acabou ligando Brasil e Angola num fraternal e elevadamente simbólico “Abraço à Vela”...
Um abração respeitoso a todos os que seguiram o dia-a-dia da travessia do “Mussulo” e seus intrépidos guerreiros das ondas do mar.
manuel de sousa
Luanda – Angola
sexta-feira, novembro 23, 2007
Lançamento do Livro em Luanda
Rodeados de amigos e "marinheiros" de vela ou de motor, animação "à angolana", agitação na esplanada do Club Naval de Luanda, noite bonita, uma brisa suave, dengosa, a dizer-nos baixinho para não sairmos mais de Angola!
São as "kiandas" das águas doces e salgadas a acariciar-nos e a quererem levar-nos para os reinos de fantasia das profundezas!
Bonitas as palavras dos apresentadores do livro. Primeiro do Mário Fontes, como Presidente do Club e depois do Zé Batista Borges representando os amantes do mar.
E os velejadores, José Guilherme e tio Chico com dificuldade em lhes agradecer, bem como aos que tornaram possível a existência do livro e a festa de lançamento.
Bem hajam a todos
MUSSULO, UM ABRAÇO À VELA
Brasil – Angola – Brasil, o realizar de um velho sonho
Por Francisco Amorim, o “Tio Chico”
Lançamento do livro no Clube Naval de Luanda
Apresentação de Mário Fontes
16.Novembro.2007
O conteúdo do livro que é hoje aqui apresentado, centra-se em duas componentes principais:
- a AVENTURA, inerente à realização de duas travessias no Atlântico Sul ( Rio de Janeiro – Namibe e Luanda – Santa Helena – Rio de Janeiro)
- o SENTIMENTO, que decorre do regresso a ANGOLA de dois dos tripulantes, o Comandante José Guilherme e o Provedor de Proteínas, o Tio Chico, após uma ausência longa de 30 anos.
Por não ter vivência em qualquer uma delas, já que nunca fiz uma travessia e nunca tive outra casa senão Angola, não poderei, com a devida propriedade, apreciar o que este livro expressa e procura transmitir.
Porem, sendo um amante do Mar e da Aventura, e um Ser Humano que, por definição, “sente”, li este livro “de um bordo só”, como num largo de ventos prazenteiros e bonançosos.
A descrição da preparação da viagem, feita em tempo record, é pedagógica e útil, mesmo para quem não se queira aventurar a passeios tão longos.
Percebemos a complexidade de algo que à primeira vista parece simples, afinal é só ir de barco de um porto a outro!
Várias lições se extraem, em todos os aspectos da preparação, com relevo para o equipamento, a redundância, a segurança.
No capítulo da Alimentação a Bordo, o leitor pode recolher muitas ideias interessantes e originais, e também e mais uma vez comprovar que, afinal, no receio de passar fome, sempre sobejam provisões.
Mas o velho ditado, “quem vai para o mar avia-se em terra” tem que ser respeitado, mais valendo sobrar do que faltar.
Confrontados com vários problemas e falhas de equipamento, transparece que é afinal a COESÃO DA EQUIPA o elemento mais importante para enfrentar situações adversas.
E este TRIO demonstrou ser uma verdadeira equipa.
O rever de Angola tantos anos depois, em especial para o Tio Chico que aqui viveu, nas suas próprias palavras, “o período de mais entusiasmo na vida de qualquer homem”, com o reencontro de pessoas, lugares e paisagens, despoletaram sentimentos fortes e que abalariam o mais empedernido.
O livro é também uma lição do SENTIR, SAUDADE e AMIZADE.
Gostei de ler e recomendo.
Parabéns à tripulação do Mussulo por este ABRAÇO.
Parabéns Tio Chico.
Muito obrigado.
Mário Fontes
* * * * * * * * * * * *
"MUSSULO"!
UM ABRAÇO A VELA!
Um abraço, um simples beijo, um carinho, exige sempre a participação de dois seres, ligados de qualquer forma, por laços de amizade, respeito mútuo, vivências conjuntas, anteriores ou actuais
O Brasil é sinónimo de uma grande terra, de um grande País!
A Angola de agora é um País novo, cujas raízes muito antigas, estão espalhadas, quer queiramos ou não, pelos 4 cantos do Mundo!
Angola tenho-a não só como o País que me viu nascer, ao meu Pai, irmãs, e tantos outros!
Uma Mãe de regaço enorme, com profundas riquezas, onde a que mais se nota é a amizade com tudo e com todos, o bem receber, o dar sem querer nada em troca, apanágio deste bom Povo!
Apesar duma guerra, imposta, durante mais de 30 anos, apesar das dificuldades que quase todos ainda atravessamos, continuamos a ser como dantes, a sermos nós, a sermos verdadeiramente acolhedores, enfim, a sermos Angolanos!
Infelizmente não pude receber o veleiro Mussulo, como queria!
Dar finalmente um abraço ao Tio Xico grande amigo do meu pai, que me reconheceu ontem pelas parecenças! Ao Zé Guilherme Pereira Caldas, que conheço desde miúdo!
Estava na altura ausente de Angola, mas a acompanhar atentamente a viagem via Internet!
Comigo estavam muitas gentes do Mar, da Terra, e porque não do Ar, que em todo o Mundo se preocuparam com esta sempre audaciosa viagem, num barco que não passava de uma simples gota no Oceano!
"O REVER DAQUELA TERRA, I O SENTIR UM POVO EXTREMAMENTE SOFRIDO, COM TANTOS E TANTOS ANOS DE SERVIDÃO E GUERRA, QUE MANTÉM UMA FORTISSIMA ESPERANÇA MANIFESTADA POR UMA POSTURA SIMPLES MAS ALEGRE NUMA AGITAÇÃO INCONCEBIVEL TENTANDO SIMPLESMENTE VENDER A OUTREM O QUE QUER QUE SEJA! “
À ESPERA QUE OS RESPONSÁVEIS ESQUEÇAM OS SEUS PRÓPRIOS INTERESSES E AINDA ALGUNS O PROBLEMA DAS CORES DAS PELES..."
"QUE SE DEIXE DE DISCUTIR SE O TEMPO COLONIAL FOI BOM OU RUIM! TODOS NÓS VINDOS DE ONDE QUER QUE SEJA, DE QUALQUER PARTE DO MUNDO SOMOS
MESTIÇOS DE TANTOS POVOS QUE SEMPRE, SEMPRE, SE CRUZARAM,
CONQUISTARAM, FORAM CONQUISTADOS, E SE EXPANDIRAM."
"NÃO PERCAM JAMAIS, A ESPERANÇA.
NEM ESQUEÇAM QUE ESPERANÇA NÃO É PLANO DE VIDA.
HÁ QUE PLANEJAR O FUTURO! JA HOJE! PARA TODOS,
SEMPRE COM TODA A ESPERANÇA E MUITO ENTUSIASMO". (sic páginas 170 e 171)
Esta foi uma (pen) última mensagem aos angolanos dada pelo Autor do livro, o Tio Xico!
Depois de ter lido "Um Abraço á Vela", certifiquei-me que mais uma vez não deixamos os créditos do receber angolano, por mãos alheias!
Recebemos os nossos amigos do outro lado, com muitas raízes depositadas aqui, da melhor forma de que fomos capazes e eles no livro frisam-no maravilhosamente!
Conheci o Pai Pereim Caldas nos meus tempos de meninice e.convivi muito com os seus filhos, mais novos do que eu, a quem, por nítida diferença de idades, não podia dar muita confiança!
"Mudam-se os tempos mudam-se as vontades" e foi com imensa pena que não pude estar no Clube Naval a receber, não os heróis, porque de heroismos estamos fartos, mas os nossos companheiros velejadores que cumpriram um sonho que todos nós amantes da vela, algum dia gostaríamos de ver realizado, uma travessia Atlântica!
Vimos todos os dias chegarem ao Clube Naval: novos barcos á vela!
Raramente os vemos zarpar, fundeados em imóveis poitas e marinas!
Limitam-se, em fins-de-semana mais prolongados, a servirem de hotéis aos seus Comandantes e famílias, na sempre calma Baía do Mussulo!
Apenas mantemos na Angola actual a regata Luanda Lobito-Luanda (440 milhas), quando em 1988, os nossos veleiros, em regatas diversas, ultrapassavam de longe a milhagem coberta por todos os regateiros de Portugal!
A minha Mãe sempre me ensinou que qualquer visita, desde a mais simples á mais complicada, tinha que ser sempre retribuída!
Não terá chegado a hora de retribuirmos ao José Guilherme Mendes Pereira Caldas, ao Tio Xico, ao Matheus Miranda Barbosa, extensivo a todo o Brasil, esse grande abraço que nos deram em 2005/2006?
Proponho aqui, no lançamento deste livro simples, honesto, de leitura fácil, sempre absorvente, cuja feitura voltou a despertar em mim e penso que não só, um sonho antigo, o enorme desejo de começar a pensar, já, numa travessia Atlântica!
Aconselho vivamente a leitura desta obra, quanto mais não seja para sentirmos um pouco, o nervoso miudinho de não estarmos lá!
Enfrentando tempestades, rizando velas, reparando as rasgadas, baloiçando ao acaso nas irritantes calmarias e sorrindo para os golfinhos que passam!
Que se organize a partir de hoje um outro abraço!
Desta feita Angola - Brasil - Angola, muito facilitado pela experiência bem expressa nesta obra pelos navegantes da embarcação Mussulo!
Para que fique registado na História dos nossos dois Paises, que a saudade de um abraço, só pode ser diluída, com um outro abraço de saudade!
Baptista Borges
N. Fotos do lançamento... só daqui a alguns dias!
sábado, novembro 17, 2007
terça-feira, novembro 06, 2007
ATENÇÃO ANGOLA

domingo, setembro 23, 2007
Entrevista na televisão portuguesa
http://www.youtube.com/watch?v=AKppMrTyjOs
quarta-feira, setembro 05, 2007
Mais um pouco do livro
O rádio cada vez pior, se possível isso fosse, não permitindo saber se ao menos as coordenadas do meio dia tinham sido entendidas. Já não se conseguia transmitir nada. Tão logo o rádio dava sinais de recuperar tentava-se emitir somente: - Amanhã à tarde Mussulo. Mas nem isso se captou!
Ao meio dia do dia 6, motor desligado, quase 8 nós, vento de través soprando de SSW, céu limpo, mar com ondulação dengosa, uma beleza. Todos de tronco nu, até o Tio pela primeira vez, mas abrigado, à sombra, sem o chapéu que percorrera 4.000 milhas.
À noite o vento bom manteve-se até tarde, do mesmo quadrante e assim que caiu voltou o motor. Não se podia perder nem mais um instante!
As comunicações pelo rádio praticamente impossíveis. Mal se informava que o destino era o Mussulo e não Luanda, assim mesmo mal compreendidos pelos interlocutores.
Durante este trajeto ninguém quis saber de soltar uma isca-amostra para pegar peixe que, certamente naquela rica costa, não faltaria. O que todos queriam, muito, era chegar logo ao Mussulo! O próprio “Mussulo” resfolgava ao vento ou na falta deste a motor.
sábado, setembro 01, 2007
Mais uma passagem do livro

06h30 com vento de 15 a 20 nós não passamos dos 4! Só no grande! E ainda nos faltam 815 milhas para o Namibe. Ao meio dia o ponto dava-nos uma miserável singradura de 86 milhas!!!
Depois um “quase motim” o Comandante concordou em se usarem manilhas, mosquetões ou o que se encontrasse a bordo disponível para envergar a genoa. Usámos até dois mosquetões de bolsa de viagem que, coitados, ao primeiro puxão de vento sumiram. Os amarrilhos cada vez que subiam e desciam na adriça em aço do ginneker, a fazer de estai, cortavam-se quase todos. Mais algumas horas a improvisar este novo “sistema”, subiu-se definitivamente a genoa às 12h00. E nunca mais se romperam os amarrilhos nem a genoa deixou de nos ajudar com alguns bons nós a mais de andamento!
De manhã progredíamos a 4 nós e agora, com a genoa, entre 7,5 e 8,3! À noite mantinha-se o andamento, a nossa posição era 20° 53’S e 00° 36 W, rumo 55-60° com vento de 18 nós SE, galgamos o que nos falta do oceano, a 7 - 7,5 nós! Estamos quase a passar para Oriente de Greenwhich!
Contatámos com o Victor Reis, o rádio amador do Namibe, e ainda com o Almeida e o Pinto de Johannesburg, que nos informaram que o João Costa anda à procura da peça do piloto automático e que vai, de certeza resolver o assunto.
quarta-feira, agosto 22, 2007
DISPARIDADES, SINGULARIDADADES ou CURIOSIDADES ?

Sem razão aparente, ou talvez por demasiado científica, o “este” quase desapareceu do português do Brasil, para dar lugar a “esse”! O “este” só é usado em casos de extrema raridade.
Agora que o livro “Um Abraço à Vela” foi para a editora, começou por passar pela revisão de duas especialistas, que devem ter feito talvez um milhar de propostas de correções ao texto inicial, para além daquelas gralhas evidentes ou erros de digitação.
Faltavam muitas vírgulas, muitas. Na reunião para discutir as prepostas correções, houve que fazer um pequeno preâmbulo para que as senhoras ficassem cientes de que não se tratava de rever um texto de Machado de Assis, o purista, o mais correto escritor de língua portuguesa do Brasil, nem de Guimarães Rosa com todos os seus regionalismos, e muito menos do senhor prémio Nobel que não usa vírgulas, nem pontos, nem nada desses (ou destes?) sinais de pontuação, provocando faltas de ar em quem se atreve a ler as suas premiadas obras.
Passou-se à revisão, e logo se deparou entre o autor e as simpáticas revisoras um pequeno problema: possivelmente por uma questão de economia, o brasileiro quase já não usa, também, o pronome pessoal. Por exemplo, os portugas dirão: “no cais estava o João, o Fagundes, o Afonso e a Tereza.” Enquanto por aqui “estaria João, Fagundes, Afonso e Tereza.”
E quando se tocou na famigerada crase, aí a “nossa briga” animou, no meio de animada e alegre - sempre - troca de opiniões, porque para crasear há que ter a preposição e o pronome, com o efeito, em Portugal, de abrir a vogal, que no Brasil está sempre aberta. Como os braços do Cristo do Corcovado, seja o “a” mudo ou não.
O livro, escrito num (em um!) linguajar mestiçado de português das várias margens do grande rio Atlântico, causava alguma dificuldade ao “purismo” da língua, acabando por concluir-se, com humildade, que não se tratava de uma obra de literatura, mas de um relato e impressões de viagem, necessitando para isso, o autor, de se expressar sem pretensões de ser proposto a imortal de qualquer academia!
Nem sempre a vitória foi do autor! Como no próprio título da obra: “Um Abraço à vela!” A que propósito é que este (esse?) “à” aqui é craseado? As revisoras propuseram uma comparação bem simples: “E se o abraço fosse num barco com motor? Seria um Abraço a motor ou ao motor?” Aí o autor capitulou! Não havia dúvidas. A crase no título está errada. Mas quem vai dizer, em português, com o “a” mudo, “Um Abraço a vela?” Ninguém. Não faria sentido.
À boa moda ditatorial houve que impor a opinião, mesmo que cientificamente errada, do autor:
Vai ter que levar a crase! Levou. E o livro, com crase e tudo, vai ficar muito bom.
São estas singularidades ou disparidades ou... que nos unem. São as curiosidades da língua. É a riqueza da Lusofonia. A falar é que a gente se entende.
21-ago-07
terça-feira, agosto 14, 2007
A grande largada !



Às 14h50 o Tio solta o primeiro apito, e avisa que sobram só dez minutos para todos se abraçarem e despedirem!
Cinco minutos depois segundo apito. Algumas lágrimas teimam em aparecer, escondidas, sobretudo nos olhos da “Tia” que, mesmo a contra gosto, licenciara o “Dom Quixote” para esta aventura.
Às 15h00, precisas, o “Mussulo”, embandeirado, imponente, solta as amarras da Marina da Glória.
O Comandante, avisado do quase-desastre do diesel-água, limitou-se
a dizer que teríamos que voltar ao Iate Clube para reabastecer!
Em poucos segundos o “Mussulo” afasta-se do cais, sobe o grande e, lá vai ele a caminho do Iate Clube, reabastecer o tanque que se esvaziara. Atraca, carrega quase cem litros, e agora, sim, vai começar a grande Travessia.
Andados uns escassos metros, desculpem, braças, avista-se uma das defensas do barco que se tinha desprendido e vogava entre as embarcações fundeadas no Clube! Volta atrás, pesca a defensa com o arpão que se carregara para levantar os peixões das grandes pescarias que se pressupunha iam acontecer no alto mar, retoma-se o rumo para a saída da Baía da Guanabara.
Nessa altura o Comandante procedendo a uma mais minuciosa vistoria ao barco, descobre que a bomba de porão não estava a funcionar e que o dito porão estava cheio, cheio de água.
Tio ao leme, procurando navegar sempre no contravento (bolina) para o barco se inclinar, Comandante e Levantador, de joelhos no chão, panos e esponjas, baldes e bartedouros improvisados, despejando a água no lava louças! Ali, dentro da Baía, um bordo até à praia, outro para fora, e volta, diversas vezes, com o barco inclinado para se poder melhor apanhar a água, andou-se mais de uma hora!
Que início, iniciozinho de viagem! Finalmente, eram já 17h30, rumo à saída da Baía, vento totalmente pela proa, a motor, o Mateus após todo aquele começo dentro da cabine, ajoelhado e a apanhar a água, não agüentou e enjoou! O Comandante levou também uma boa estafa, mas rijo como é, ficou firme. Atribuiu toda aquela água, água doce, à grande chuvada que caíra na véspera, porque pelo mastro sempre desce alguma. A verdade é que parecia água demais para ter escorrido pelo mastro. Mas o Comandante falou...
Rumo 140°, a motor, quando uma hora mais tarde se altera para 180° e se desenrola a genoa. Vento fresco, mar muito revolto, bolina (contravento) quase cerrada, andamento entre 2,6 a 3,7 nós, bem devagar, voltou o motor que acabou por trabalhar 6 horas neste primeiro dia.
À noite, ao tentar preparar o jantar, foi a vez do Tio ficar fora de serviço! Já embarcara com o físico derreado, o mínimo esforço acabou com ele! O próprio Comandante não estava lá aquelas coisas!
Resultado, no horário combinado para comunicação com o rádio amador Aldir Muniz, às 22h00, neste primeiro dia ninguém estava em condições de se sentar à mesa de navegação e o fazer. Passou-se assim sem noticiar!
sábado, agosto 04, 2007
Durante os preparativos



Ninguém sabe bem como operar com todos os recursos do rádio, mas pode-se usá-lo da forma mais simples, sintonizando manualmente as várias freqüências que em principio se vai transmitir, assunto que nenhum dos tripulantes saberia informar! Depois se verá.
Combustível atestado; velas arrumadas na cabine de vante, junto com boa parte dos alimentos, carregador de baterias e reserva de gasolina nos seus lugares, assim como os coletes salva vidas e as roupas de frio. Definidos os lugares para cada um dos tripulantes guardar a sua roupa.
Só falta encher os depósitos de água. São dois, intercomunicando-se, mas, para mais rápido enchimento, uma válvula que os separa na entrada, dentro da cabine. Válvula aberta para o primeiro depósito e o João Amorim enfia lá a mangueira, depois de se terem introduzido, à cautela, algumas pastilhas de cloro. O tanque vai enchendo, o Tio dentro da cabine a controlar. Neste ínterim toca o telefone. Era o Comandante a perguntar alguma coisa, e logo a seguir o João anuncia que já estava cheio e até a jogar água fora. Tira fora. Já vamos encher o outro. Quando termina a rápida conversa com o Comandante, muda-se a posição da válvula para o depósito de vante: Pronto. Podes encher o outro. Ouve-se uma voz, do João, afastado da entrada da água: Já estou a encher!
- MEU DEUS! PÁRA! Esse é o tanque do diesel!!!!
O João, muito amável, a querer colaborar, ouvindo dizer que o primeiro tanque estava cheio foi encher o “segundo”, e enfiou a mangueira da água no tanque do combustível!!! Quatro horas da tarde, na véspera da partida!
Sai o Tio feito louco, elevado nível de batimentos cardíacos, à procura de alguém que lhe venha retirar todo o combustível daquele tanque - 100 litros - e o lave muito bem, porque ninguém soube quanta água lá entrou! Que pesadelo!
Ao fim de mais duas horas chegou um mecânico, recomendado para isso. Vai buscar baldes e um bidão vazio, panos, etc.
O Tio tinha em casa festa de despedida, mas o seu coração e pensamento estavam no barco. Neste meio tempo desaba sobre o Rio um daqueles temporais que inundam tudo, até a avenida de acesso à Marina. Perto da 9 horas da noite toca o telefone: O serviço está pronto, o tanque sequinho, o barco também, porque nada entornou. Não precisa vir à Marina, até porque o trânsito, com a chuva, está interrompido!
Graças a Deus. Mas... será que está tudo em ordem e nós vamos largar amanhã? Imaginem como o Tio dormiu nessa noite.
domingo, julho 29, 2007
Finalmente: vai sair o livro "Um Abraço à vela"!

Ficou por contar, neste site, o que se passou nos últimos dias do regresso, que aliás foram sem novidade maior. Mas vamos contar tudo. Tudo, mesmo.
O “tio” Chico escreveu um livro a que deu o nome - “inédito!” - de “Um Abraço à Vela”, já que foi ele também que deu esse nome à Travessia.
O livro esperou, esperou, esperou... até que finalmente se conseguiu patrocínio para ser editado. Está na editora, no Rio, e será, segundo dizem “as más línguas”, uma beleza: um pouco mais de 200 páginas com o relato do “Abraço” e mais 32 com fotografias coloridas.
Entretanto estão em andamento os projetos de lançamento, com o Autor e o Comandante presentes para as convenientes assinaturas, em Lisboa no próximo dia 07 de Setembro, em local, hora, etc. ainda em estudo, e em Luanda a 20 do mesmo mês, possivelmente na sede do Club Naval de Luanda que tão carinhosamente recebeu os velejadores quando ali chegaram em Janeiro de 2006.
No Brasil deverá ser feito um "lançamento" em São Paulo e outro no Rio em datas e detalhes a fixar.
Para ir adoçando a curiosidade, aqui vai um pedacinho do que se escreveu:
O Matheus levou para bordo uma “pipa” (papagaio em Portugal) para brincar com ela em pleno Oceano! O Tio não lhe ficou muito atrás: levou papel e aquarelas para pintar algumas paisagens!!!
Imagina-se o quanto cada um usou do seu “brinquedo”!
Daqui a dias daremos mais notícias: do livro, da viagem, fotos e sobre o lançamento em Lisboa.
domingo, fevereiro 12, 2006
Chegada ao Rio de Janeiro...vista de terra!








Este regresso foi uma espécie de parto! Difícil!
Ora tínhamos notícias ora falhavam. Sabíamos que estavam navegando num mar "pedido a Deus" a boa velocidade, mas nada mais além disso. A ansiedade em terra talvez fosse maior do que lá no mar.
Finalmente quinta feira o rádio, com a antena passando por fora do acoplador (olha o acoplador a manifestar-se o "mau da festa"!...) transmitiu a sua posição, que já calculávamos fosse aproximadamente aquela, e previu a chegada à Marina da Glória para as 13H.
De manhã o Comandante, em frente de Saquarema, tal como seria de esperar, conseguiu falar pelo telefone celular e confirmou as 13h. O "tio" ex-auxiliar de navegação, ex-cozinheiro, ex-ex, retificou essa previsão para as 12H. e, às 10 já perscrutava o horizonte da Baía da Guanabara, empoleirado nas pedras da Marina.
11 horas avista-se um ponto lá... lá... bem no fundo. Serão eles? Era um veleiro que parecia dirigir-se para o iate clube - letra minúscula porque este clube não nos merece muito consideração. De repente faz um bordo, velas recolhidas.. era o "Mussulo".
Agita-se o pessoal da Marina, sempre pronto, sempre amável e disponível, que manda uma lancha indicar onde atracar, uma vez que boa parte da mesma Marina está ocupada com a dragagem. Já o Mussulo aparecia, glorioso, orgulhoso, na Marina.
O tio entra na pequena lancha e vai subir a bordo. Tinha que fazer os últimos cem metros, perdão as últimas cem jardas, a bordo! Afinal, apesar de ex, nunca deixara de pertencer àquela tripulação!
Dois fortes e saudosos abraços e logo um preparar de cabos para atracar, no pequeno cais nobre improvisado e posto à disposição do "Mussulo".
Mais uma vez um muito obrigado ao Sérgio Meireles e Nelson Falcão e aos marinheiros que colaboraram na manobra.Finalmente atraca. 11h45m locais.
Pouca gente à espera. Mas uma grande festa e muita alegria.
Algumas fotos ilustram bem o momento.
O comandante já começou a correr atrás da sua vida profissional. Não houve ocasião de se marcar um próximo encontro para uma "revisão" dos pontos principais a memorizar de toda esta sensacional aventura.
Colher as impressões finais que por enquanto ainda nem sequer devem ter começado a sedimentar.
O barco, que trouxe um novo problema no enrolador da genoa, felizmente tendo sido "remediado" pelo comandante, sem afetar o uso da genoa, terá que ficar no Rio um a dois dias para resolver o assunto. Depois irá então para Brachuy, descansar, ser tratado com um herói e todo devidamente revisto para... quem sabe se outra do mesmo quilate.
Parabéns mais uma vez ao comandante e ao Mateus que de marinheiro de primeira viagem hoje se pode, e deve, considerar um marinheiro oceânico!
E parabéns ao "Mussulo" que, mesmo com tantos problemas, cumpriu muito bem a sua missão.
Mas este ABRAÇO não acaba aqui. Há muito ainda para contar.
Francisco Amorim
sexta-feira, fevereiro 10, 2006
Mensagem enviada do Rio de Janeiro pelo José Guilherme
Após exatas 7674 milhas e 56 dias de mar, às 12:00 horas do dia 10/02/2006 o Mussulo voltou ao ponto de partida na Marina da Glória- Rio de Janeiro, lá estavam os nossos amigos para nos receber. A viagem foi muito aprazível e sem maiores problemas, o Mussulo comportou-se como um barco feliz com a viagem, ansioso para voltar para sua vaga em Bracuhy e ser retocado para aguardar a próxima viagem. Infelizmente a última perna não teve a presença física do Francisco mas a sua alma e o seu coração estavam conosco. O Matheus, marinheiro de primeira viagem, comportou-se como um experiente homem do mar, alegre companheiro, sempre pronto a cumprir todas as tarefas e aliviando as preocupações do “Comandante”. Obrigado Matheus por termos tido a oportunidade de completar o Abraço à Vela entre o Brasil e Angola.
A escala em Sta Helena mostrou que é uma ilha digna de ter assistido aos últimos dias de Napoleão onde mais uma vez fomos muito bem recebidos e lá deixamos no Anne’s Place uma bandeira do Brasil e um galhardete do Clube Naval de Luanda sendo mais um ato simbólico desta viagem.
Mola mestra no sucesso desta viagem, na preocupação constante com o nosso bem-estar, na construção do site da viagem, na intermediação com os radio amadores, enfim no nosso contacto com o mundo externo foi o meu irmão José Filipe Caldas. Na próxima viagem temos que arranjar outro apoio em terra firme pois terás que vir comigo, meu irmão!
Gostaria de finalizar agradecendo aos radio amadores Muniz (Rio de Janeiro) e Chagas (Aracaju) que todos os dias nem mais minuto, nem menos minuto, nem mais segundo, nem menos segundo, de domingo a domingo, estavam ali para nos apoiar nos transmitir as previsões de tempo, nos dar notícias das famílias, enfim nos conectar com o mundo. À hora aprazada lá estavam eles : - “Papa Papa 6 Bravo Charlie de Aracaju chama o veleiro Mussulo... Como está a tripulação? Latitude, Longitude, Rumo verdadeiro, Direção e Força do vento? Tempo e condições do mar? Alguma mensagem para a família, para o José Filipe?” ou “Papa Yankee 1 Alpha Mike Bravo do Rio de Janeiro chama o veleiro Mussulo...sempre com as mesmas perguntas”, pronto não estávamos mais sozinhos, estávamos conectados com o resto do mundo. Obrigado a estas pessoas (verdadeiros anjos da guarda) e à comunidade de radio amadores em geral que sempre esteve presente na viagem com inúmeros outros nomes.
Agradeço em meu nome e da minha tripulação – Matheus Miranda Barbosa e Francisco Amorim - a todos os que apoiaram e viram sentido nesta viagem. Aguardem um relato detalhado que estaremos providenciando para breve.
Um abraço à vela
José Guilherme Caldas
Chegada ao Rio de Janeiro dia 10 Fevereiro de 2006



quinta-feira, fevereiro 09, 2006
Contacto com o Mussulo dia 9 de Fevereiro de 06


Dia 8 de Fevereiro sem contacto com Mussulo


quarta-feira, fevereiro 08, 2006
Dia 7 de Fevereiro de 06 - PREVISÃO

terça-feira, fevereiro 07, 2006
Dia 6 de Fevereiro não houve contacto com Mussulo
domingo, fevereiro 05, 2006
Contacto com Mussulo dia 5 de Fevereiro de 2006




Contacto com Mussulo dia 4 de Fevereiro de 2006

Os ventos estão praticamente de Nordeste da ordem dos 10 nós.O rumo continua em 255º e a uma velocidade de 7 nós.
O Mussulo ás 19:00 horas de 4 de Fevereiro estava na Latitude 20º 45' S e Longitude 26º 34' W , a 120 milhas náuticas da Ilha da Trindade onde devem passar pelo seu través amanhã dia 5 à tarde.Neste momento está a decorrer a regata Vitória-Ilha da Trindade-Vitória, que largou hoje de Vitória.Esta regata é uma das tradicionais regatas na costa brasileira e tem um amplo apoio da Marinha brasileira que tem um destacamento permanente na Ilha. www.eldoradobrasilis.com.br
sábado, fevereiro 04, 2006
Contacto com Mussulo dia 3 de Fevereiro de 2006



sexta-feira, fevereiro 03, 2006
Notícias do dia 2/2/2006
Notícias das 19H00 GMT 02/Fev/06
Posição do Mussulo: 19º 51´ S e 21º 14´ W.
Rumo: 255 a 265º.
Singradura: 171 mi.
Vento na hora da transmissão: SE 15 km
Mar tranquilo, ondulação de até 2 m. O leme mantem-se controlado, apesar da folga.
O rádio parece estar cumprindo muito bem a sua missão. (Ainda bem)
Tripulação bem, de espírito e estômago (olha o trabalho do "provedor" a dar os seus frutos...)
Capitão Guilherme entusiasmado já pensa que pode chegar 2 a 3 dias antes do previsto dia 11, mas o "tio" não acredita muito nisso.
Se o vento continuar de feição e com a força que os tem impulsionado nestes últimos dias, devem ganhar um dia, chegando a 10. Menos do que isso... só se os golfinhos ajudarem! E muito! Ainda estão a quase 1.400 milhas da Marina da Glória.
Abraços a todos.
quarta-feira, fevereiro 01, 2006
Contacto com o Mussulo dia 1 de Fevereiro de 2006



Os ventos pela manhã de dia 1 de Fevereiro atingiram 25 nós de Sudeste e às 19:00 horas TMG estavam com 12 nós.
O Mussulo rumava 250º a uma velocidade de 7 nós, apesar que de noite, para não esforçar a caixa do leme, que continua a requerer bastante atenção, rumou mais para sul.
Às 19:00 hrs TMG de dia 1 de Fevereiro o Mussulo tinha atingido a Latitude de 19 º 21' S e a Longitude de 18º 26' W.
Nestas condições e mantidos os ventos, continua assegurada a chegada ao Rio de Janeiro dia 11 pela manhã.
Contacto com Mussulo dia 31 de Janeiro de 2006

No contacto por rádio ás 19:00 horas de dia 31 de Janeiro de 2006 o Mussulo mantinha o rumo de 250º a uma velocidade de 8,5 nós.
O vento estava de sudeste com 15 a 20 nós, ondas de 2,5 a 3 m e tempo bom.
O Mussulo estava na latitude sul de 18º 36' e longitude oeste de 15º 37' W.
O rádio amador de Namibe Victor Reis comunicou-se com Chagas no momento do contacto com o Mussulo e enviou um grande abraço para Francisco Amorim.
A previsão de chegada a Cabo Frio ( 60 milhas ao norte de Rio de Janeiro) é de 10 de Fevereiro e à Marina da Glória no Rio de Janeiro dia 11 pela manhã .








