



O "Abraço à Vela" começa com a ida de três amigos do Brasil até Angola, em Dezembro de 2005. No mar, a amizade, os Abraços, perduram e agora o Mussulo II sairá de Cabo Verde para o Brasil. Outra ligação entre povos que estão ligados desde os princípios das suas histórias! Bons ventos!

















Este regresso foi uma espécie de parto! Difícil!
Ora tínhamos notícias ora falhavam. Sabíamos que estavam navegando num mar "pedido a Deus" a boa velocidade, mas nada mais além disso. A ansiedade em terra talvez fosse maior do que lá no mar.
Finalmente quinta feira o rádio, com a antena passando por fora do acoplador (olha o acoplador a manifestar-se o "mau da festa"!...) transmitiu a sua posição, que já calculávamos fosse aproximadamente aquela, e previu a chegada à Marina da Glória para as 13H.
De manhã o Comandante, em frente de Saquarema, tal como seria de esperar, conseguiu falar pelo telefone celular e confirmou as 13h. O "tio" ex-auxiliar de navegação, ex-cozinheiro, ex-ex, retificou essa previsão para as 12H. e, às 10 já perscrutava o horizonte da Baía da Guanabara, empoleirado nas pedras da Marina.
11 horas avista-se um ponto lá... lá... bem no fundo. Serão eles? Era um veleiro que parecia dirigir-se para o iate clube - letra minúscula porque este clube não nos merece muito consideração. De repente faz um bordo, velas recolhidas.. era o "Mussulo".
Agita-se o pessoal da Marina, sempre pronto, sempre amável e disponível, que manda uma lancha indicar onde atracar, uma vez que boa parte da mesma Marina está ocupada com a dragagem. Já o Mussulo aparecia, glorioso, orgulhoso, na Marina.
O tio entra na pequena lancha e vai subir a bordo. Tinha que fazer os últimos cem metros, perdão as últimas cem jardas, a bordo! Afinal, apesar de ex, nunca deixara de pertencer àquela tripulação!
Dois fortes e saudosos abraços e logo um preparar de cabos para atracar, no pequeno cais nobre improvisado e posto à disposição do "Mussulo".
Mais uma vez um muito obrigado ao Sérgio Meireles e Nelson Falcão e aos marinheiros que colaboraram na manobra.Finalmente atraca. 11h45m locais.
Pouca gente à espera. Mas uma grande festa e muita alegria.
Algumas fotos ilustram bem o momento.
O comandante já começou a correr atrás da sua vida profissional. Não houve ocasião de se marcar um próximo encontro para uma "revisão" dos pontos principais a memorizar de toda esta sensacional aventura.
Colher as impressões finais que por enquanto ainda nem sequer devem ter começado a sedimentar.
O barco, que trouxe um novo problema no enrolador da genoa, felizmente tendo sido "remediado" pelo comandante, sem afetar o uso da genoa, terá que ficar no Rio um a dois dias para resolver o assunto. Depois irá então para Brachuy, descansar, ser tratado com um herói e todo devidamente revisto para... quem sabe se outra do mesmo quilate.
Parabéns mais uma vez ao comandante e ao Mateus que de marinheiro de primeira viagem hoje se pode, e deve, considerar um marinheiro oceânico!
E parabéns ao "Mussulo" que, mesmo com tantos problemas, cumpriu muito bem a sua missão.
Mas este ABRAÇO não acaba aqui. Há muito ainda para contar.
Francisco Amorim


















